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A lei do mínimo Revista Você s/a

Não, prezado leitor, este artigo não é sobre o salário mínimo. Até porque esta coluna não trata das leis artificiais. Prefere abordar as leis naturais, que regem o comportamento humano, especialmente no que se refere ao desenvolvimento profissional das pessoas.

 

A Lei do Mínimo em questão foi proposta pelo biólogo alemão Justus Liebig ainda no século XIX, e diz que “o sucesso de um organismo em um meio ambiente depende de que nenhum fator de sobrevivência exceda seu limite de tolerância”.

 

Em outras palavras, para que um ser vivo continue vivo, todos os fatores necessários à sua sobrevivência devem estar presentes, de nada adiantando haver excesso de todos se um estiver em falta. Liebig concluiu, acertadamente, que “o organismo não é mais forte que o elo mais fraco de sua cadeia ecológica de necessidades”. Faz todo o sentido, não é mesmo?

 

Estudando a agricultura, ele percebeu, por exemplo, que muitas culturas minguavam, não por falta dos nutrientes necessários em grandes quantidades, como água e dióxido de carbono, mas por insuficiência de uma substância que a planta necessita em quantidades minúsculas, como o zinco. Sua afirmação de que “o crescimento de uma planta é dependente da quantidade de alimento que se lhe apresente em quantidade mínima”, foi adotada pela ciência como a “Lei do Mínimo de Liebig”.

 

E não é que a sacada do Justus se aplica perfeitamente à fauna profissional neste começo de século XXI? Um executivo em uma empresa, um técnico em uma fábrica ou um empresário em seu negócio também estão sujeitos à tirania dos chamados “fatores limitantes”. Em um mercado de trabalho mais restrito que a oferta de talentos, as empresas estão selecionando seus candidatos através dos detalhes de seus currículos.

 

Seu curso superior é impecável, seu MBA foi feito na escola da moda, seu inglês é fluente, seus conhecimentos de espanhol bastante bons e seus estágios trazem boas referências, mas… a dinâmica de grupo indicou uma certa dificuldade na tomada de decisões. Pronto você recebe a informação, acompanhada de elogios, que será chamado para participar da seleção no ano que vem. Você ficou surpreso? Nada que a Lei do Mínimo não possa explicar.

 

Não há maldade nesse conjunto de exigências das empresas. Trata-se apenas de um processo adaptativo, que responde, e faz bem em responder, às características atuais do mercado, que é competitivo como nunca foi anteriormente. Vale a pena recordar que o pressuposto da competitividade é a competência. Ou seja, para competir no mercado atual são exigidas competências, e elas estão ficando cada vez mais complexas, indo até o nível dos detalhes.

 

Cria-se uma cadeia absolutamente natural. Um mercado competitivo exige competência das empresas que dele participam, e estas por sua vez, repassam a exigência para seus colaboradores. Como os fatores mais óbvios das competências já são atendidos por praticamente todos, os fatores limitantes, bem como os fatores determinantes do sucesso desceram ao nível das filigranas.

 

Porque você prefere o restaurante X, se o restaurante Y serve uma comida tão boa quanto a do X e ainda por cima é mais perto e uma pouco mais barato? Provavelmente porque um ou alguns fatores ligados à Lei do Mínimo entraram em ação. Talvez a simpatia do manobrista, a decoração do couvert, ou aquela prateleira de utilidades disponível no banheiro do restaurante X. Não a qualidade da comida, nem o serviço dos garçons ou a decoração do salão principal. Esses são equivalentes à água e ao dióxido de carbono, e o que interessa é o zinco, um oligoelemento antes desprezado.

 

Mais uma vez entra em cena a importância da vigilância permanente e os cuidados com os detalhes de seu currículo formal e informal para poder participar do jogo corporativo da atualidade. O autoconhecimento, portanto, é vantagem competitiva.

 

Há um segundo conceito que se aplica perfeitamente a estas observações, enunciado no início dos anos mil e novecentos pelo cientista inglês V.E. Shelford. Chama-se “Princípio dos Limites de Tolerância”, e amplia a aplicação da Lei do Mínimo. Ficou curioso? Pois vai ter que esperar até o próximo artigo, em quinze dias. Até lá, e cuidado com os detalhes!

 

Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.
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