Abrace seu pai

Abrace seu pai

No dia dos pais de 2016 eu publiquei no Instagram uma foto (veja no final do texto) cuja legenda era:

Nesta foto há dois pais, dois filhos, uma filha, um avô, uma neta, dois irmãos, um tio e uma sobrinha. Não é fantástico?”.

O fantástico da foto era que, apesar da descrição sugerir uma multidão, nela só apareciam quatro pessoas: eu, meu filho mais velho com sua filha, e meu filho mais novo, que é mais novo que sua sobrinha. Coisa de nossos tempos…

Em 1953 O Globo, fez uma campanha homenageando os pais, e premiou três: o mais novo, o mais velho e o que tinha mais filhos. Eu poderia concorrer na categoria “maior distância na idade entre o primeiro e o último”. Teria chance: 40 anos!

Foi naquela ocasião que surgiu o Dia dos Pais no Brasil. A motivação principal, claro, era criar uma data que ajudasse o comércio a começar bem o segundo semestre. Deu certo.

Mas… quer saber? Eu acho um dia delicioso. Pouco importa a motivação, o que vale é o motivo, e ser pai é legal pra caramba. Falo de cátedra, tive 4 filhos. Dois meninos e duas meninas. Todos maravilhosos, presentes em minha vida até hoje. E já tenho 6 netinhos.

Ser pai foi (e é) meu maior desafio. Conheci a oscilação entre a agonia e o êxtase. Ri e chorei. Aprovei e reprendi. Ensinei e aprendi. E tratei de dar-lhes coisas antagônicas que se complementam: as raízes e as asas.  

Erik, o quarto, hoje tem 8 anos e, sem que ele saiba (porque não quero dar-lhe essa responsabilidade), é o maior tesouro de minha vida. A inspiração de meu cotidiano, meu vínculo com o futuro, o sentido de tudo.

Estamos em uma fase de convivência intensa. Ele se transformou em meu companheiro principal. Eu preparo nossa comida, mas ele me alimenta com seu riso, com suas perguntas curiosas e, principalmente com seus ensinamentos. Aliás, somos mestres e aprendizes um do outro. Eu o ensino como viver, e ele me mostra porque viver.

Meu papel como pai é dar-lhe autonomia, romper com o ciclo da dependência, fazê-lo acreditar em seu potencial, encontrar seu próprio caminho. Ele precisa de autoconfiança, e esta vem da autoestima e do preparo. E a centelha que provoca essa ignição é o amor.

Tive pouco contato com meu pai. Só me aproximei dele no entardecer de sua vida. Foi pouco tempo, mas foi bom. Percebi que ele me amou de seu jeito, mas ganhei a certeza de seu amor, e isso foi muito importante para mim. Nos abraçamos fortemente na última vez que nos vimos, um pouco antes de sua partida.

Hoje, abrace seu pai, talvez em lembrança. Abrace seu filho, talvez em distância.

Não existe abraço mais forte do que o do pai com o filho ou com a filha. Os braços se protegem. Os corações se tocam. Os rostos se iluminam. Abrace. Um ótimo dia dos pais aos pais e aos filhos, e uma maravilhosa semana a todos!