Fabinho de bem com a vida

Fabinho de bem com a vida

Ainda lembro de alguns colegas do colégio Bom Jesus. Estávamos todos naquela fase de pensar no futuro, de escolher a carreira, de querer o sucesso. Éramos todos adolescentes, cheios de espinhas e de sonhos.

Eu já tinha me decidido: queria ser médico. E também queria ser rico, famoso, comprar um carrão, viajar bastante e ter um monte de namoradas, claro. Havia ali futuros engenheiros, advogados, empresários, e até um diplomata. 

E havia Fabinho.

O Fabinho não tinha planos grandiosos, não falava em ficar rico e famoso. Quando alguém lhe perguntava o que queria ser na vida ele respondia com um sorriso: “Eu quero é ser feliz”. E eu via sinceridade naquela afirmação.

O Fabinho, ao contrário da maioria, não parecia estar em guerra contra o mundo. Não tinha inimigos, não se “empatotava” para odiar a outra “patota”. Não se queixava dos professores nem da dureza das provas, que, aliás, ele tirava de letra.

Não era rico, nem bonito, nem atleta talentoso. Ele era como todos nós, com coisas boas e coisas nem tanto. Só que que ele tinha algo que era só dele – parecia estar sempre de bem com a vida.

Pela vida afora, encontrei outros Fabinhos, como também encontrei seus opostos, os amargurados crônicos. Qual o segredo dos primeiros?

Não sei. E nem sei se estar de bem com a vida é sinônimo de ser feliz, como queria o Fabinho.

Pode até ser que não seja, mas acho que deve ter uma relação, sim. Ou, pelo menos, estar de mal com a vida deve ser um convite para ser infeliz.

E também não sei se existe uma fórmula para ser feliz, e se existir, ainda que seja apenas uma pista, com certeza ela é pessoal e intransferível, pois felicidade é um conceito concebido individualmente.

Entretanto pessoas de bem com a vida têm, sim, algo a nos ensinar. A primeira lição é que elas não confundem felicidade com prazer imediato. E também não transformam a felicidade em um eterno projeto futuro. E, talvez o mais importante, não passam a vida se queixando da sorte.

Gente de bem com a vida parece que sabe que a felicidade é um estado interior que não precisa ser prejudicado pelo que acontece fora de nós.

Ótimo domingo. Grande semana!

Adendo:

Tem um jovem e sorridente monge budista que dá conselhos curtos no reels do Instagram (@blessing.buddha).

Gostei de um em que ele dá três dicas valiosas:

  1. Se você está certo, não perca tempo tentando provar para todo mundo.
  2. Se você está errado, não perca tempo fingindo que está certo.
  3. A vida é muito curta, então não perca tempo com o que te deixa triste e negativo.

No fundo, acho que a dica é uma só: não perca tempo ficando de mal com a vida. Ela não está nem aí pra você. O Fabinho já sabia disso.