Morando sozinho

Morando sozinho

Tem mais gente morando sozinha. Eu mesmo, nos dias em que meu filho não está comigo. E estou gostando.

Quem mora sozinho porque quer (e esse é um grupo que cresce), diz que não abre mais mão da tal liberdade de viver de seu jeito, organizar a casa como gosta, criar rotinas próprias, andar pelado, só arrumar a cama se tiver vontade, ouvir sua playlist na altura que desejar, dançar como louco, ler em silêncio, chorar quando quiser, arrotar e soltar pum sem vergonha e sem medo de ser feliz.

Há, claro, aqueles que se separam e resolvem ser quem queriam ser, talvez pela primeira vez na vida.

Ouvi um depoimento incrível, de uma moça que jura que se sentia mais solitária enquanto ainda morava com seu ex. Agora, sozinha, ela está mais bem acompanhada.

Verdade. Se é difícil carregar a solidão, é ainda mais difícil carregar uma companhia indesejada. Esta é muito mais pesada.

Mas o assunto é tão complexo e sensível, que merece uma análise mais profunda. Vamos recorrer ao nosso amado português que é uma língua viva, e não para de evoluir no significado de suas palavras. Para este assunto temos duas: solidão e solitude.

A solidão é triste, porque foi imposta e não vê saída. A solitude é alegre, porque é uma escolha, muitas vezes necessária para a reflexão, o encontro com consigo mesmo e a evolução pessoal.

Tem seu preço, claro. Exige coragem. Dá trabalho. Tem momentos ruins. Mas pode acabar quando se quiser.

Para pensar: morar sozinho pode ser bom. Viver sozinho não. Não fomos feitos para isso…

No livro de poemas Secreta mirada, Lya Luft deixou uma frase maravilhosa, mas que dá um pequeno nó nos neurônios:

A solidão é um campo tão vasto que não deve ser atravessado a sós”.   

Agora, desatar seus neurônios é só com você. Um ótimo domingo e uma maravilhosa semana! Acompanhado(a) ou sozinho(a)…

Adendo:

Por opção (própria), ou por imposição (da vida), o número de domicílios com um único morador aumentou nos últimos anos.

Segundo pesquisa do IBGE (que se chama PENAD contínua), entre 2012 e 2022 o salto foi de 43,4%.

Já são cerca de 11 milhões de casas “uni-habitadas”. O mercado, claro, sempre de olho nas oportunidades, já tem produtos específicos para essa turminha, a começar por mini (ou até micro) apartamentos, com menos de 20 metros quadrados, mas cheios de soluções práticas.