Por que crônica?

Por que crônica?

Um amigo me passou um vídeo dele em Roma. Ele dizia: “Cara, que calor! que desenfreado calor!”  Depois, abanando-se com um lenço, resvalou para teorias sobre fenômenos atmosféricos e para conjecturas acerca do sol e da lua. 

Pois é, meu amigo, depois que a fatal curiosidade de Eva nos fez perder o paraíso, acabou a vantagem de uma temperatura agradável. Nasceu o calor e o inverno, vieram as neves, os tufões, as secas e todo um cortejo de males, distribuídos pelos doze meses do ano. 

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Eu sempre quis escrever crônicas. Antes escrevia artigos. Só da revista Vida Simples foram 258 durante vinte anos. Agora vou me dar ao luxo… O título vai ser o mesmo da revista – Pensando Bem -, e vai viajar pela rede.

Mas crônica é diferente de artigo.

Um artigo segue o modelo clássico de introdução, desenvolvimento e conclusão. A primeira parte contextualiza, a segunda argumenta, a terceira resume. E você sai feliz por ter aprendido alguma coisa. A crônica não tem amarras, e não liga para tua felicidade. Só quer dizer algo.

Pode até ser a exposição de um tema, como o artigo faz, mas sua liberdade é quase anárquica. Pode divertir, emocionar, fazer pensar, sentir raiva e até medo. Cronos era assim. Comia seus filhos…

No artigo você está ouvindo um professor, na crônica você está em uma conversa de bar. Quem a escreve está dando sua opinião, compartilhando sua visão, contando o que sentiu quando algo aconteceu, o que aprendeu a cada livro que leu ou a cada tombo que levou.

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e o começo deste texto é, descaradamente, baseado na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica”.

A propósito, hoje em Roma pode fazer 40 graus. E vamos em frente…  

Um ótimo domingo e uma maravilhosa semana!