Redefinindo Saúde Mental
(19/10/2025)
Eu estudei medicina no século 20, e lembro que falar em saúde mental era falar em doença. O campo era da psiquiatria, e os diagnósticos, em geral, envolviam quadros graves: esquizofrenia, psicose, transtorno bipolar, depressão profunda.
Mas a sociedade mudou, e, com ela, mudou também o entendimento sobre o que é estar saudável mentalmente.
Hoje sabemos que a saúde mental não é apenas ausência de transtorno, mas o equilíbrio dinâmico entre emoções, pensamentos e comportamentos. É a capacidade de lidar com as pressões da vida, manter relações saudáveis, realizar o próprio potencial e encontrar sentido na existência.
As doenças mentais continuam, claro, a existir, e merecem atenção médica especializada. Mas o assunto voltou-se também para os transtornos emocionais e comportamentais ligados ao ritmo da vida contemporânea: ansiedade, estresse crônico, síndrome de burnout, distúrbios do sono e da atenção, entre outros.
A própria Organização Mundial da Saúde já se posicionou, e deslocou o foco da patologia para o bem-estar psíquico e social.
Os sintomas desse mal-estar difuso nascem menos de uma falha biológica e mais de um modo de vida desequilibrado, hiperconectado, competitivo e muitas vezes solitário.
Nas organizações, lugar que eu conheço bem, isso se tornou um tema central. O ambiente de trabalho é, ao mesmo tempo, fonte de propósito e de sofrimento.
Empresas que ainda confundem alta performance com exaustão estão adoecendo suas equipes e comprometendo seus resultados.
O desafio agora é transformar o discurso do cuidado em prática real.
Isso passa por alguns pontos essenciais: lideranças capacitadas, políticas de prevenção, espaços de diálogo e, sobretudo, uma cultura organizacional que valorize o humano.
O tema da saúde mental deixou de ser marginal. Ele é, hoje, o centro das discussões sobre o futuro do trabalho e da vida. Mas a responsabilidade não é apenas institucional.
Nunca se esqueça que cuidar de si é algo de muito de bom tom. Não é tão difícil cultivar hábitos que preservem a mente: sono bom, comida de verdade, movimento, amigos, tempo para o silêncio e para o prazer, e também terapia, que é um imenso reforço ao viver bem.
