# 100 – A filha do sol

# 100 – A filha do sol
A filha do sol
(22/06/2025)

Esta é minha centésima crônica. Por acaso – ou não – falo aqui sobre ciclos, e algo mais… Vamos a ela:

Circa diem, do latim, significa “cerca de um dia”. Refere-se aos fenômenos biológicos repetitivos de nosso corpo, e só não é “exatamente um dia”, porque varia um pouco entre as pessoas.

Temos que dormir e acordar, trabalhar e descansar, comer e digerir, pensar e repousar, e por aí vai. O regente dessa sinfonia da vida, com sonatas, adágios e minuetos biológicos, é o sistema endócrino. O dono da orquestra é o sol. E ele tem uma sacerdotisa…

Os ciclos nos influenciam imensamente, mas a maioria de nós insiste em ignorá-los. Tropeçamos em noites mal dormidas, alimentações fora de hora, telas brilhando em plena madrugada.
Somos jet lags ambulantes, mesmo sem sair do fuso.

A medicina antiga (Hipócrates e os médicos chineses incluídos) já via o “ciclo circadiano” como fonte de cura e de saúde, e eis que a medicina moderna recupera essa arte com força.

No sul de Portugal vive uma bela bióloga que se ocupa do assunto com ciência, paixão e exemplo. E ajuda pessoas, no mundo inteiro, a encontrar a “paz circadiana”.

Ela nos ilumina com explicações certeiras. Por exemplo: os ciclos de nosso corpo seguem seu “livre-curso” a partir de nosso relógio biológico, ancestral. Mas eis que surgem os atropelos da
modernidade – em pouco mais de um século colocamos o dia na noite e demos uma banana para milhões de anos de evolução.

Essa inversão artificial tem, claro, consequências concretas na saúde física e mental. É como se tocássemos a sinfonia da vida fora do compasso. Adoecemos e tentamos corrigir o ritmo com remédios que nos adoecem ainda mais. Mas há saídas…

A bióloga do Algarve nos oferece conselhos simples, mas transformadores. Ela defende que o cuidado com o ritmo da vida não é luxo, nem obsessão – é reconciliação. Que viver em paz com
o próprio relógio não é viver devagar – é viver certo.

Neste dia 24 de junho, mal ocorrido o solstício de inverno no Brasil e de verão em Portugal, eu tenho o que celebrar: o aniversario de minha filha Debora, a bióloga, a yogini, a mãe, a mestra que ensina, com doçura e ciência, que saúde também é ritmo, também é afeto, também é tempo bem vivido (conheça mais sobre ela no Instagram @demussak, e surpreenda-se).

Que tua luz continue solar, querida. Que tua noite siga serena. E que este mundo tão fora de hora te ouça mais. Inclusive este pai orgulhoso, e, às vezes, cansado…


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O Nascimento da Crônica".