# 86 – A palhaçada

# 86 – A palhaçada
A palhaçada
(16/03/2025)

A palhaçada

Nesta semana fui a Ponta Grossa, a bela cidade do Segundo Planalto Paranaense, a convite, e a serviço, de uma grande (e admirável) fábrica de caminhões. 

Pela manhã, visita à fábrica, conversa com a diretora de RH, com a presidente da empresa, com operários e executivos. À tarde, acompanhei o evento corporativo e dei a palestra de encerramento. 

Falei sobre o papel fundamental das lideranças dentro da empresa, e na própria sociedade, que evolui aos saltos, muitas vezes provocados por líderes que surgem e se impõe através do valor de suas ideias ou da força de seus discursos. 

Construímos juntos os atributos, os valores, os comportamentos e as competências essenciais aos bons líderes. Quase um modelo de um herói idealizado, mas possível. Liderança é treino…

Enquanto ainda agradecia, feliz, os aplausos da plateia, vejo que entra no palco um casal de… palhaços.   

Sim, um casal de palhaços. Roupas coloridas, maquiagem exagerada, sorrisos largos. O contraste entre minha palestra e a presença deles foi evidente e imediato. Mas, em vez de se oporem, os dois momentos se complementaram de maneira inesperada.

A linda palhacinha falou um pouco sobre o Cirque Du Soleil: “Os artistas são contratados por suas habilidades atléticas, o treinamento artístico vem depois” – explicou. 

Os números são acrobacias que desafiam a gravidade, ignoram as leis da física e zombam do senso comum. A beleza surge do encontro entre a força e a arte. Tudo com muita música, luz e cor. Lindo de se ver. 

Mas, entre dois números, é preciso que entram os palhaços.  Eles são desajeitados, tropeçam nos próprios pés, caem fácil e riem de si mesmos. E nós rimos com eles, e os amamos, porque nos representam mais que os super-heróis dos trapézios. 

Durante um número arriscado a plateia diz oh! Quando entram os palhaços a expressão muda para ah! Muda a emoção, muda a interjeição. Tensão vira alegria e troca-se a vogal. 

Nosso tenso cotidiano, sem mudar a vogal ocasionalmente, seria insuportável. Alterne a gravata azul que aperta a garganta com nariz vermelho que ilumina o rosto. Você ficará surpreso com o efeito. 

Tenha um divertido domingo e uma produtiva semana!


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica