A proteção de um pai
(11/08/2024)
Coloquei os dois garotos para dormir após um dia intenso. Acordei com ambos em minha cama, pois fez muito frio na madrugada de Curitiba, e eles vieram atrás do calor da união.
Erik, meu filho, tem 9, e Matias, meu neto, 8. Eles moram em continentes diferentes, mas são inseparáveis. E ainda teve um quarto elemento: Gupy, o Papillon de dois anos. Levantei-me devagar para não os acordar, e fui atrás de um café, de pés descalços.
Após o primeiro gole consultei as mensagens no celular. A primeira tinha uma citação de Freud: “Não me lembro de nenhuma necessidade da infância tão grande quanto a necessidade da proteção de um pai”. Que frase…
Veio de uma pessoa muito especial, que aprimorou, provavelmente na psicanálise, a pontaria no disparo das palavras. Tornou-se campeã. Me fez voltar à cama e abraçar e beijar meus meninos (os três… ☺).
Hoje é Dia dos Pais, que surgiu com finalidade comercial, mas eu não me importo, e comemoro. Ser pai foi o que de mais importante (e divertido) eu fiz nesta vida. Tive 4. Dois meninos e duas meninas. Todos maravilhosos, presentes em minha vida até hoje. E já tenho 6 netinhos. A dinastia continua…
Ser pai também foi (e é) meu maior desafio. Conheci a oscilação entre a agonia e o êxtase. Ri e chorei. Aprovei e reprendi. Ensinei e aprendi. E tratei de dar-lhes coisas antagônicas que se complementam: as raízes e as asas.
Erik não sabe, porque não quero dar-lhe essa responsabilidade, mas ele é, atualmente, a inspiração de meu cotidiano, meu vínculo com o futuro, o sentido de tudo.
Há um ano, depois da separação, vivemos uma fase de convivência intensa. Ele se transformou em meu companheiro principal. Eu preparo nossa comida, e ele me alimenta com seu riso, com suas perguntas curiosas e, principalmente com seus ensinamentos. Aliás, somos mestres e aprendizes um do outro. Eu o ensino como viver, e ele me mostra porque viver.
Meu papel como pai é dar-lhe autonomia, romper com o ciclo da dependência, fazê-lo acreditar em seu potencial, encontrar seu próprio caminho. Esta é a verdadeira proteção.
Eu não tive uma convivência forte com meu pai. E foi pouco tempo. Mas foi bom. Nos abraçamos fortemente na última vez que nos vimos, um pouco antes de sua partida. Não existe abraço mais forte do que o do pai com o filho ou com a filha. Os braços se protegem. Os corações se tocam. Hoje, abrace seu pai, talvez em lembrança. Abrace seu filho, talvez em distância.
Um ótimo Dia dos Pais aos pais e aos filhos, e uma maravilhosa semana a todos!