Acrobacias no ar
(27/04/2025)
“Você gosta de voar?” – A pergunta foi feita por meu amigo Viola ao final da reunião, aí pelas cinco da tarde. “Ora… sou um veterano dos mais pesados que o ar” – respondi, galhofeiro.
De fato, eu voei o romântico Electra, no gigantesco 747, no quase experimental Bandeirante, em jatos executivos e até no mítico DC-3 do Correio Aéreo Nacional. O céu me é familiar. Já deslizei por “céus de brigadeiro” e também conheci o “inferno suspenso”. “Avião é comigo mesmo” – concluí.
Até agora não sei se o sorriso do Viola quis dizer “que bom”, ou “você ainda não viu nada”. E me convidou para dar uma volta em seu avião de acrobacia, no aeroclube de Pato Branco, no Paraná, onde fica sua fabulosa empresa de TI.
Em meia hora eu já estava atado a seu lado, em um monomotor de alumínio leve, com motor potente, cockpit minimalista, asas curtas e uma cabine em forma de bolha. Junto estavam Newton e Einstein, para comprovar as leis da gravidade e da relatividade do tempo.
Decolamos usando só 200 metros da pista, e a subida foi rápida. A título de “dessensibilização”, o comandante permitiu que eu experimentasse o manche – se puxar ele sobe, se empurrar ele
desce, pro lado ele vira. O passarinho amarelo obedecia com precisão e suavidade.
A cerca de 7 mil pés começaram as aventuras: roll, looping, chandelle, stall turn, cuban eight. As manobras se sofisticavam, o susto aumentava, o G dobrava, a alegria crescia.
E foi quando o Viola me disse “agora subiremos até o avião parar no ar a começar a cair” que eu tive a percepção: aquilo não era uma aventura. Era uma operação controlada, treinada, internalizada. Ele, definitivamente, estava no comando do avião.
No chão, ele comanda uma empresa que ajuda seus clientes a controlarem seus próprios negócios. Milhões de operações acontecem por minuto em cidades, campos, supermercados,
fábricas, universidades, usando as soluções de seu software.
Um tipo conhecido por ERP – Enterprise Resource Planning. Sua função é automatizar, integrar e controlar os sistemas de uma empresa. Os ERPs são a última fronteira da administração. Um bom sistema é como um cockpit completo e simplificado ao mesmo tempo. E, agora, com a IA ajudando a decidir.
Montar e administrar uma empresa tem alguma similaridade com pilotar um avião de acrobacia. Um empresário é um acrobata do mercado. Se o tempo está ruim ele tem que fazer ajustes. Se o tempo está bom ele precisa fazer suas piruetas.
Tem que estar preparado, equipado, e pronto para tudo. E tem que ter coragem. Mas, esta, é consequência dos anteriores…
Isto posto, feliz voo a todos!