# 31 – Antibanalidade – o desafio

# 31 – Antibanalidade – o desafio
Antibanalidade – o desafio
(25/02/2024)

“O mundo está cheio de gente banal.

Meu deus! O mundo está cheio delas” 

A frase acima me foi dita por uma amiga nesta semana, enquanto falávamos sobre pessoas e relações. Teve o tom de um desabafo, a gravidade de uma descoberta e o suspiro de um desalento. Uau! Fiquei preocupado. 

Não por ela, mas por todos nós. Ela tocou em uma ferida exposta, sem sequer um band-aid amigo para proteger: a banalidade está virando padrão. É a banalidade do banal…  

O que é banal é ordinário e não se destaca de maneira alguma, e fica desinteressante ou sem valor pela total falta de originalidade e diferenciação. E tem muita gente assim. Mais do mesmo. Farinha do mesmo saco. Commodity humana. 

Por isso nesta crônica estou lançando, além de um alerta, um desafio: vamos criar o “movimento antibanalidade”!

Para ser justo, nada contra o comum, o padrão, a normalidade cotidiana. Eu mesmo quero andar anônimo pelas ruas, quero fazer e dizer coisas triviais e ter uma rotina que se repete. Não precisamos ser originais cem por cento do tempo. Mas…  

Mas vamos concordar que a banalidade cansa, entedia, aborrece. Se eu não sair nunca da bolha do banal para me alimentar do original, vou acabar morrendo de tédio, e minha alma vai ficar anêmica e murcha como uma uva desidratada. 

Eu preciso da arte, da poesia, da música, da tecnologia, de novos livros, de novos olhares. E de pessoas interessantes, claro. A vida é muito curta para tomar vinhos ruins, já disse um enólogo metido a filósofo. O mesmo vale para companhias entediantes. 

Para mim, se a companhia não me alegra, não me inspira e não me ensina, me entedia. Serei eu muito exigente e injusto?   

Não. Atualmente tudo é efêmero e descartável, inclusive as relações humanas. A profundidade de pensamento, sentimento e conexão tornou-se uma raridade. 

A luta contra a banalidade é também uma luta contra a passividade. É fácil seguir o fluxo, repetir padrões e se contentar com o superficial. Sair dessa armadilha requer esforço. 

A “antibanalidade” quer apenas valorizar as ilhas de singularidade no mar da uniformidade. Que tal? Desafio lançado!

Ótimo domingo, Grande semana!  


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica