Dois triângulos e um compromisso
(29/06/2025)
Foi nos Estados Unidos, em uma aula sobre Comportamento Organizacional, que esta imagem começou a se formar. O assunto era commitment – comprometimento (dos funcionários com a empresa, dos clientes com a marca…).
Como obter, já que não se pode exigir, muito menos comprar?
A professora, com rara sensibilidade, nos propôs um exercício inusitado: representar graficamente o que seria uma relação perfeita entre duas pessoas (um casamento, por exemplo).
Comprometimento – aquela força silenciosa que sustenta tanto os vínculos amorosos quanto os profissionais. A cola invisível entre pessoas, ideias, empresas, culturas. O desafio estava lançado.
Divididos em grupos, nos sentamos ao redor de mesas para criar a solução. Na minha equipe, acabei sugerindo uma figura geométrica: dois triângulos sobrepostos, como dois corpos que se acolhem.
A base do primeiro triângulo dá início a tudo: a admiração. Os outros dois vértices são o respeito e a confiança. Sem esses três nenhuma relação se sustenta.
O segundo acrescenta dois potencializadores: a paixão e a intimidade, para então, surgir naturalmente, na base invertida, a consequência: o comprometimento.

Perceba que o comprometimento, que vai sustentar a relação, é sustentado pelos demais, intencional, e cotidianamente.
A professora gostou. Os colegas também. Mas o tempo passou, e a figura virou lembrança. Até que, há poucos dias, Rosa Maria – psicanalista de olhar fino e gestos cheios de significado – me presenteou com uma pequena escultura de metal. Os dois triângulos entrelaçados ganharam, finalmente, volume e beleza.
Ela não esteve naquela aula, mas captou sua essência como ninguém. E disse que aquela forma é como ela me vê: alguém que pensa as relações como arquiteturas simbólicas. Onde cada
emoção é um alicerce. E cada sentimento é uma obra.
Recebi o presente maravilhado. Porque me vi nele. E vi nela o reconhecimento mais bonito: o de alguém que entende não só quem você é – mas como você pensa, sente, constrói.
Sim, em toda relação verdadeira, há um pacto não escrito. Um acordo tácito entre duas pessoas livres, que decidem construir algo maior que elas mesmas. Algo que não se compra pronto, mas se desenha, traço por traço – ou, no meu caso, vértice por vértice.