# 49 – Equilíbrio

# 49 – Equilíbrio
Equilíbrio
(30/06/2024)

Estável, instável ou indiferente. 

Essa foi a resposta que eu dei ao professor de ciências, quando ele perguntou quais eram os tipos de equilíbrio que os corpos físicos podiam apresentar. As figuras clássicas sobre este assunto são: uma pirâmide, uma pirâmide invertida e uma esfera. 

Mal sabia eu que o tema do equilíbrio voltaria à minha vida várias vezes, de várias maneiras. Eu gosto da palavra. E do conceito. 

A ideia do equilíbrio á usada para representar o que está bem. Finanças, vida pessoal e profissional, massas gorda e magra no corpo, razão e emoção na hora da decisão e da ação…  

Em física aprendemos que ficamos em pé porque o nosso centro de gravidade se liga ao centro da Terra através de uma linha que passa pela área entre nossos dois pés. Estamos em equilíbrio.

E este é o momento em que a física se encontra com a filosofia. 

Sim: acontece que se mantivermos essa situação fisicamente equilibrada, vamos ficar estáticos. 

Não sairemos do lugar. 

Já, caminhar, ir para frente, significa mudar a posição do corpo em relação ao solo, que é o mesmo que dizer que alteramos o equilíbrio a cada passada. 

Pense: você projeta o corpo para frente, e só não cai porque um pé se desloca, aumentando a área de sustentação, mantendo, assim, o equilíbrio. 

Em outras palavras, caminhar é uma sequência de perdas e recuperações do equilíbrio corporal, que acontecem de maneira praticamente simultânea.

A vida também é assim. Se você quiser evoluir tem que andar para frente, e vai perder o equilíbrio muitas vezes, aliás, quase sempre. 

Mas tudo bem com isso. Sabe por quê? Porque nossa vida, assim como os pratos da balança do quitandeiro, está em equilíbrio dinâmico, e não estático. Pende para um lado, depois para o outro.

Se nossa vida às vezes perde o equilíbrio, o importante é não perder o controle, e, para isso, ter consciência do que está acontecendo é o que vale. 

Em um mundo que se chacoalha o tempo todo, feito cachorro depois do banho, querendo nos derrubar, só nos resta procurar o equilíbrio no lugar onde ele pode ser construído intencionalmente: em nosso próprio interior. Simples. Mas não fácil, eu sei…

Um ótimo domingo e uma grande semana!  


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica