# 27 – Espere o inesperado

# 27 – Espere o inesperado
Espere o inesperado
(28/01/2024)

“Não é uma questão de se.

É uma questão de quando”.

Estou em Lisboa com o Erik, meu filho de 8 anos. Cada vez mais linda, especialmente sob o céu de inverno, a cidade tem programas para todas as idades. Escolhemos um em comum acordo, que mistura histórica, ciência e emoção: o Museu do Terremoto de Lisboa de 1755, ou, simplesmente, o Quake

Dado significativo: o museu é privado. O empresário Ricardo Clemente pensou que as pessoas pagariam para se sentir “dentro do terremoto”. Juntou-se ao sismólogo Luís Matias e ao historiador André Canhoto, e investiu em um museu em Lisboa que parece uma atração em Orlando. Este é um país em que a cultura é considerada investimento sério. E rentável. 

Posso resumir assim: é uma experiência imersiva, com realidade virtual e storytelling a serviço de uma narrativa histórica.

Já o Erik disse: “Cara, pensei que fosse de verdade. Foi awesome”, com sua expressão de encanto pela vida e seu hábito de misturar idiomas, antes de sair correndo ao largo do Tejo. 

Passeamos por um pacato bairro lisboeta do século 18, e entramos na igreja para assistir à missa do Dia de Todos os Santos, afinal estamos em um país muito católico.  

E é na igreja que começa a catástrofe. Os movimentos acontecem em todas as direções. Você não sabe como se segurar. Ruído monstruoso. Cena desesperadora. Sensação de pesadelo. 

Saindo da igreja, o bairro está destruído. Uma fumaça paira no ar, há fogo, destruição e gritos por todos os lados. E você se dá conta de que tudo pode mudar a qualquer momento. Ufa!

Refeitos, fomos tomar um café com nossa amiga Margot, filósofa brasileira que adotou Lisboa, no centro da Baixa Pombalina. Estávamos no coração do terremoto. Em um bairro que foi reconstruído e ficou incomparavelmente melhor do que era. 

Em suas ruas simétricas estão os primeiros edifícios construídos com tecnologia antissísmica no mundo. A história do terremoto de Lisboa só não é mais impressionante que a história da reconstrução da cidade. 

Para essa história, e outras, que mostram a incrível capacidade do ser humano superar as catástrofes, reerguer-se e ficar melhor que antes, existe um nome. Chama-se “Efeito Fênix”, e vale para uma cidade, um país, e mesmo para uma pessoa. 

Afinal, quem nunca teve um “quake” particular, não é mesmo?        

Ótimo domingo! Grande semana!

 

Adendos:

O Erik “resistindo” ao terremoto

Eugenio Mussak

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eugenio Mussak

 

Vale a pena conhecer a história de Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de pombal, o homem que Reconstruiu Lisboa.

Retrato do Marquês de Pombal, de Louis-Michel van Loo (1766)

 

 

 

 

Espere o inesperado

Saiba mais em lisbomquake.com

 

 

 

Obs.-

“Espere o inesperado” é o slogan do museu.

“Não é uma questão de se. É uma questão de quando” é o alerta final da visita ao Quake.


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica