# 87 – Força e delicadeza

# 87 – Força e delicadeza
Força e delicadeza
(23/03/2025)

“Delicadeza exige força. A brutalidade é fraca”. 

Quem me disse isso foi um velho amigo sansei (neto de imigrantes do Japão), tentando me explicar o kabuki, o teatro japonês.

Acontece que na tradição oriental, os papéis femininos eram representados por homens, e todos muito fortes. Só assim, acreditavam eles, conseguiriam passar toda a delicadeza cênica que desejavam.  

Nunca esqueci o que aprendi com meu companheiro de olhos puxados, passei a observar fatos e comportamentos, e me dei conta que além da força física, a força intelectual e moral também são substratos da delicadeza humana. 

Percebi que, de fato, atos de delicadeza costumam partir daqueles que, por se saberem fortes, não precisam sair por aí demonstrando sua força, exibindo superioridade e causando medo. Quem faz questão de mostrar o tempo todo força e poder, na verdade é fraco, ou está com medo. Age como um baiacu, o peixe pequeno que se infla todo para parecer grande e ameaçador diante do inimigo. 

Aprofundando este assunto, meu amigo, que também é mestre em artes marciais, me explicou o significado do Goju-Ryu, um estilo de karatê, que, para aumentar o poder, trata de aproximar as energias aparentemente antagônicas. 

“Go” simboliza a força, a rigidez, enquanto “Ju” tem o significado de suavidade ou flexibilidade. “Ryo” quer dizer estilo. 

Este é o estilo que só os grandes conseguem desenvolver. Ser suave nos movimentos e forte nos objetivos em que eles resultam, surpreendendo o oponente. 

Sem ser um karateca, e, muito menos, sem querer ser um Gandhi das relações, ainda acredito na força da gentileza, da elegância e da suavidade. Convivo muito com executivos de empresas, líderes corporativos, e noto que os mais experientes e bem-sucedidos, muitas vezes considerados “agressivos” nos negócios, não o são nas relações. Ao contrário. 

E não são porque não precisam, e porque assim conseguem retirar das pessoas e das equipes o que elas têm de melhor. Afinal, confiança, respeito e admiração são sentimentos mais poderosos do que medo, obediência e subserviência

Tenha um divertido domingo e uma produtiva semana!


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica