O espírito do Natal
(03/12/2023)
Começo a primeira crônica de dezembro com uma pergunta: como está seu “espírito de Natal”?
Em busca de melhorar o meu, fui assistir a uma apresentação artística sobre o Natal. Belíssima. Cores, luzes e música. Atores e cantores vestidos com uma alegoria estilizada, mas fugindo do estereotipo do Papai Noel, de gnomos ou renas. Gostei.
E, para minha surpresa, o roteiro, interpretado por cinco atores, acabou fazendo uma espécie de “crítica social” da data. Um dos personagens chamava-se, exatamente, “Espírito de Natal”, e estava meio…deprimido.
Os demais tentavam levantar seu ânimo através da música, incentivando o público a acompanhar a cantoria. E ele foi melhorando, música após música, que misturava estilos, do rock ao pop, passando pelo folclórico, até terminar em um emocionante Aleluia, do Leonard Cohen. Não tem baixo astral que resista.
É claro que o objetivo do espetáculo é de alegrar, elevar os ânimos e enternecer os corações. E também estimular o principal costume atual da data: comprar presentes.
Funcionou. E, para quem prestou atenção, ficaram as mensagens secundárias, como a interpretação da música Boas festas, de Assis Valente. Lembra?
Ela começa bem: “Anoiteceu, o sino gemeu, e a gente ficou, feliz a rezar”. Para, já na estrofe seguinte, dizer a que veio: “Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel”.
E terminar em um desabafo: “Já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem. Com certeza já morreu, ou então felicidade é brinquedo que não tem”.
Será então que o espírito de Natal mistura alegria com tristeza?
Vamos a outra música icônica: Então é Natal, gravada por Simone há mais de 30 anos, e hoje quase um hino sobre a data. É linda, mas começa com uma pergunta: “Então é Natal, o que você fez?”.
E desenvolve um poema misterioso, em que deseja felicidade a que sabe o que é o bem, mas cita Hiroshima e Nagasaki, como que para nos ajudar a verificar se realmente sabemos.
Sendo uma importantíssima data cristã, é de se esperar que o Natal exista para lembrar e reforçar a prática dos valores cristãos, que seriam responsáveis por tal espírito. Como são muitos (pesquise), podemos escolher os que nos fazem mais sentido. Gratidão, compaixão e solidariedade, por exemplo.
Agora, sobre as festas, os presentes e as poses no Instagram… bem, isto é assunto para outra crônica.
Que você tenha uma produtiva e divertida semana. Com ou sem espírito de Natal.
Adendos:

Em 1933, o baiano José de Assis Valente estava sozinho em Niterói na véspera de Natal, sentindo-se esquecido pelo mundo alegre da data, quando compôs Boas festas. A música que alegrou, e alegra, tanta gente, nasceu de um momento de tristeza profunda.

Na verdade, Simone gravou uma tradução adaptada. O original, lançado em 1971, é de autoria de John Lennon e Yoko Ono, era um protesto sobre a guerra do Vietnam, que ocorreu entre 1955 e 1975.
O nome original é Happy Xmas (War Is Over).

A apresentação a que assisti foi a do imenso (e ótimo) restaurante Madalosso, em Santa Felicidade – Curitiba.