O homem-minuto
(25/08/2024)
Certa vez estive em Lexington, no estado de Massachussetts, nos EUA. Fica pertinho de Boston e de suas grandes universidades. Lembro de duas coisas: da estatua em homenagem ao Minuteman, e ao fato de que lá morava (e lá morreu), um de meus pensadores modernos favoritos: David McClelland.
Minuteman, ou “homem-minuto”, é o nome dado a pessoas comuns, colonos, fazendeiros, trabalhadores, que, no século 18, em um minuto estavam disponíveis para lutar pela independência das 13 Colônias, contra a opressão do Reino Unido.
David McClelland foi um psicólogo de Harvard que se dedicou a estudar a motivação humana, e criou o conceito que hoje adotamos para a competência: conhecimento, habilidade e atitude – o famoso CHA.
Há relação entre ambos? Vejamos: um dos maiores mistérios na Psicologia Organizacional da atualidade, é por quê, afinal, sabendo o que devem fazer, tendo conhecimento técnico e habilidade para executar, as pessoas, simplesmente… não fazem.
Saber fazer, poder fazer e não querer fazer é o oposto do que era o Minuteman, o homem da independência americana.
Após mais de 20 anos trabalhando com educação corporativa, me dou conta que, ainda que o assunto “gestão” continue sendo importante, o tema “comportamento” é que é fundamental.
Ontem participei de um debate com executivos em uma iniciativa de meu amigo Luciano Pires, chamada MLA – Master Life Administration, uma alternativa inteligente ao MBA clássico. O tema era “liderança”, mas virou “propósito, atitudes, ética…”.
Na próxima terça-feira (27/08) vou falar no CONARH, o grande congresso de gestão de pessoas, sobre as causas do medo nas empresas, e como avançar apesar dele.
Na semana que vem darei uma palestra para uma empresa gigante, preocupada, com toda a razão, em entender por que, apesar de as pessoas reconhecerem a importância de trabalharem em integração, colaboração e harmonia, têm imensa dificuldade para fazê-lo.
Pois é: gente sendo gente… Atualmente cerca de 25% dos psicólogos trabalham em (ou para) empresas, o que é totalmente justificado, afinal, não há empresas sem pessoas. E pessoas são pessoas, não são máquinas…
Segundo McClelland, em tudo o que fazemos, somos motivados pelas necessidades de realização, de afiliação e de poder. Líderes devem conhecer este assunto.
Já a teoria do Minuteman era menos acadêmica e mais resolutiva: “Temos que fazer o que tem que ser feito”. E pronto…
Um ótimo domingo e uma produtiva semana a todos!