# 104 – O Livro Surpresa

# 104 – O Livro Surpresa
O Livro Surpresa
(27/07/2025)

Abri a caixa preta amarrada com um laço, com um misto de alegria e apreensão. Sabia que de dentro sairia uma surpresa, e que seria algo que eu iria gostar. E como gostei…

O livro de capa azul com a imagem sutil de palavras manuscritas (exatamente igual ao do cabeçalho desta crônica), tinha um título instigante: “101 Dias Pensando Bem”.

E o nome do autor: Eugenio Mussak.

Pois é, prezado leitor, estimada leitora, que me honram com sua atenção desde junho de 2023, as 101 primeiras crônicas acabam de ser publicadas em papel. Obra surpresa da prefaciadora, Rosa Maria Marini, com total cumplicidade do Sidnei Oliveira, o editor.

“Surpresa” talvez seja a palavra que melhor definiria aquele momento. Mas, pensando bem, talvez não. Explico: houve outras emoções presentes: alegria, gratidão, amor… E, além disso, vinda desses dois, uma surpresa seria algo natural.

Foi uma espécie de “crônica de uma surpresa esperada”, ao melhor estilo Gabriel Garcia Marques, para ficar no mundo da literatura.

Comecei a escrever por gosto, mas também por necessidade. Depois de mais de 20 anos como colunista da Editora Abril, eu tinha ficado órfão das revistas, que foram se desmanchando no ar, e então criei minha própria crônica. Ainda havia muito o que dizer…

Agora, folheando o livro impresso, percebo a evolução do espírito dessa escrita intimista. As primeiras crônicas foram produzidas em um momento difícil, triste e até raivoso. Alguns títulos deixam isso claro: “Minha amiga, a dor”, “Espere o inesperado”, “Esperança, essa impostora”, entre outros.

Com o tempo, os temas foram se alegrando e a escrita foi se amansando. Isso está bem claro em títulos como: “Sem tempo para a angústia”, “A banalidade do bem”, “O cão de Órion”, e outros textos felizes. Na maioria deles, duas influências estão bem nítidas: a do pequeno Erik e a da grande escritora que, no prefácio, disse que cada crônica é “uma fresta; uma pergunta; um espelho”.

Hoje escrevo com amor pela vida, mas, entre uma filosofada poética e outra, cabem temas objetivos, a exemplo de: “Líder, leia”, “O que a IA não fará”, “Vai carpir um lote”. Esses assuntos são colhidos no meu terreno de trabalho, ligado à educação continuada e à inovação imprescindível. Outros virão, conectando vários pontos, como o da 101ª crônica: “Dois triângulos e um compromisso”.

Como eu disse na crônica número 01, citando Machado de Assis, crônica é literatura, sim. E do tipo mais difícil, pois tem que unir a economia do espaço com a profundidade da análise e a intensidade da mensagem. Outro Machado, o Antonio, diria algo como: “Cronista, não há crônica. A crônica se faz ao viver”.


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica