# 96 – O quarto senso

# 96 – O quarto senso
O quarto senso
(25/05/2025)

Nesta semana, estudando processos de tomada de decisão, revi um vídeo que eu gravei faz tempo sobre a Matriz GUT no Youtube.

(Tem um monte de vídeos meus lá, explicando as ferramentas de gestão e sua aplicação na vida – só você que não sabe. Veja este em: https://www.youtube.com/watch?v=afXg22sm9W0).

Como sabemos, a vida moderna nos ensinou a correr, mas nem sempre nos diz para onde. Foi nesse espírito que alguém criou a matriz GUT, que é uma ferramenta simples, mas muito reveladora.

G de Gravidade. U de Urgência. T de Tendência. Três critérios, notas de 1 a 5, soma, e pronto: temos um índice que nos diz por onde começar.

E, o mais importante, mais do que cálculos, com ela aprendemos a desenvolver alguns sensos, e então a jornada começa de verdade.

O primeiro a despertar é o senso de urgência – é ele quem grita: faça já!, não dá pra deixar pra depois!

Mas se ouvirmos apenas o senso de urgência (e muita gente faz isso), viveremos em estado de alarme constante. Seremos ágeis, sim, mas ansiosos. Efetivos, mas exaustos.

Por isso precisamos do segundo: o senso de prioridade – este nos alerta: faça o mais importante antes do mais barulhento.

Ele organiza. Enfileira. Nos salva do caos. Mas ainda não basta…

E não basta porque priorizar o que está no horizonte imediato não nos prepara para o que vem depois.

Então surge o senso de previsão – aquele que olha além. Que pergunta: se eu não agir agora, o que vai acontecer depois?

É o senso dos estrategistas, dos bons líderes, e também dos bons pais. Muitas vezes menos valorizado que os dois anteriores, é ele que evita as urgências – e a maioria poderia ser evitada.

Estes sensos nos ajudam ser mais eficientes, organizados e produtivos. Mas há um quarto senso, menos óbvio, mas igualmente necessário: o senso de valor. 

Ele explica que há coisas mais importantes que as importantes: as fundamentais. Este senso pergunta: Isso vale a sua vida?

Porque, no fim, tudo custa tempo, e tempo é vida. O trabalho é importante, claro. Mas a família é fundamental. O dinheiro é importante. Mas a saúde, o afeto, o silêncio, o propósito
– esses são fundamentais, e inegociáveis.

Em síntese, precisamos estar atentos às urgências, estabelecer prioridades, prevenir dificuldades, mas, acima de tudo, colocar nossos esforços a serviço do que agrega vida ao nosso tempo.

A matriz utiliza critérios, com eles desenvolvemos sensos, e estes nos ajudam a viver melhor. Como disse, certa vez, minha brincalhona filha Debora: “Tem gente que não tem senso de noção”.


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica