# 11 – O xadrez da vida

# 11 – O xadrez da vida
O xadrez da vida
(08/10/2023)

O mundo é um tabuleiro de xadrez, as peças são os Fenômenos da Natureza e as regras são as Leis do Universo. Estamos jogando, e o jogador do outro lado está oculto dentro de nós”.

Esta frase é do Thomas Huxley, cientista do século 19, grande amigo do Darwin, e avô do Aldous Huxley, autor da distopia Admirável Mundo Novo.  

Eu gosto das metáforas feitas a partir do jogo de xadrez. São muito mais sutis e menos óbvias do que as do futebol, usadas fartamente por todos, de gerentes de fábricas a presidentes da república.

O xadrez é jogado a partir de movimentos, e cada peça tem o seu, próprio e imutável. Cada movimento é uma escolha e terá respostas do oponente. O lance não se esgota em si mesmo, pois provoca movimentos do outro lado.  

Isso se chama “consequência”, que, na vida, é uma das coisas mais difíceis de aprender. 

Antes de movimentar uma peça o enxadrista tem que avaliar as possíveis respostas do outro jogador. 

E mais: a resposta que ele dará à resposta que receberá. Ganha quem conseguir avaliar o maior número de jogadas na frente.  

No xadrez da vida é ainda mais complicado, pois, como disse o Thomas Huxley, jogamos com peças que não controlamos e regras que não conhecemos. 

E como jogamos contra nosso interior só podemos ser vencidos por nós mesmos. Em outras palavras, se ganharmos, perderemos, e se perdermos, ganharemos. 

Não entendeu? Não faz mal. Apenas pense no seguinte: qualquer movimento que você fizer em sua vida vai ter uma reação do mundo ao seu redor. E não adianta culpar o mundo se você não gostar da jogada dele. 

Por isso, planejar cada passo é tão importante quanto difícil. Não dá para prever tudo, e mesmo acertando, algo vamos perder. A vida é feita de gambitos.

No tabuleiro, uma vez feita a jogada, não cabe arrependimento, tipo “ôps, foi mal, deixa voltar”. A regra é clara: moveu a peça, tirou a mão dela, acabou. É a vez do outro. 

Na vida às vezes encontramos compreensão e condescendência, mas não sem alguma consequência. Às vezes você até pode jogar de novo, mas tua imagem fica arranhada e tua autoconfiança enfraquecida. Recupera-las dá trabalho.

No xadrez o que vale é o raciocínio lógico e a estratégia, mas o grande aprendizado é bem simples: pense bem antes de jogar.       

Ótimo domingo. Grande semana! 

 

Sugestão: 

Assista Jogada de Rei, disponível no Netflix. 

É baseado na história real de Eugene Brown, um jovem que aprende a jogar xadrez na cadeia. O personagem é interpretado pelo ótimo Cuba Gooding Jr.  

Até parece um “filme de superação”, meio autoajuda. Mas é mais que isso, se você perceber que a analogia entre o jogo e a vida é perfeita.   


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica