Os autos da vida
(13/04/2025)
“Comece pelo alto da cabeça, pressionando e aliviando a região do chakra coronário. Depois vamos descer para a região occipital”…
Foi assim que o professor Walter Steiner começou sua aula sobre automassagem. Seguiu demonstrando como tocar os diversos pontos concentradores de energia de nosso corpo, aliviando,
relaxando, estimulando, trazendo vitalidade e bem-estar, de maneira quase instantânea. Em minutos eu era outra pessoa.
“Abra seu dia com esse ritual” – aconselhou, – “Seja paciente e terapeuta ao mesmo tempo. Tua vida será outra”.
Incorporado, mestre…
A automassagem é uma prática moderna, mas não é nova. De origem oriental, é praticada há muito tempo. Não tem o mesmo efeito relaxante de uma sessão de shiatsu, nem valor terapêutico de uma de osteopatia. Mas tem uma série de vantagens, como a praticidade, a disponibilidade, e o fato de você conhecer os pontos que precisam mais atenção naquele momento.
Praticada com regularidade, como um ritual diário de cuidado e carinho consigo próprio, vira rotina e transforma-se em saúde.
Foi aí que pensei: há uma sabedoria nos chamados “autos”: automassagem, automotivação, autoestima, autoconhecimento…
E todos apontam para algo maior: autonomia — a capacidade de conduzir a própria vida. Sem dispensar ajuda externa, claro, mas sem dependência passiva. Com uma coisa leva a outra, pulei da fisiologia para a filosofia em um ato, e lembrei de Kant.
Para o filósofo alemão que nasceu, viveu e morreu em Köenigsberg, no século 18, autonomia é a moralidade da razão. “A autonomia é a base da dignidade humana e condição para a liberdade”, dizia ele.
Mas, calma, Immanuel, estamos aqui falando sobre automassagem, uma coisinha trivial, algo pequeno. “Nada é pequeno quando se trata de cuidar de si mesmo” – diria o profundo, metódico, sistêmico, pontualíssimo gentil filosofo alemão.
E ele teria razão. Ao me tocar com cuidado, percebi que a automassagem foi o gesto físico que despertou em um princípio mental e, talvez, espiritual.
Sempre é bom lembrar que cuidar de si mesmo é uma manifestação ética, a priori. Ao cuidar-se você não sobrecarrega o outro e, não menos importante, fica bem para cuidar do outro, se, e quando, necessário for. Para terminar, gastando um pouco do bom latim:
Cura sui, pessoal… cura sui!