# 43 – Otimismo trágico

# 43 – Otimismo trágico
Otimismo trágico
(19/05/2024)

Se você não é psicólogo(a), provavelmente achou estranho o título desta crônica. Caso seja, talvez conheça o termo. 

E digo talvez, porque ele é próprio de uma corrente da psicologia chamada Logoterapia, que não é ensinada na maioria das escolas da área. O que é uma pena (a meu ver, claro).

Mas, ok, você está autorizado a se intrigar com o termo, mesmo que já o conheça a priori. Pois, afinal, pode, o otimismo, uma coisa tão boa, ser, também, uma tragédia?

Bem, eu vou deixar você mesmo concluir, mas vou te dar alguns elementos de reflexão. 

O primeiro que temos que saber, é que o termo surgiu a partir de uma grande tragédia: a Segunda Guerra Mundial. E que quem o criou foi um judeu, para quem a tragédia teve uma proporção multiplicada, e um efeito literalmente mortal. Seu nome era Viktor Frankl (ligou os pontos agora?). 

Mas há outro aspecto a ser examinado: o fato de que o otimista contumaz pode, com sua conduta, estar negando a realidade, o que é tão maléfico quanto ser um pessimista de carteirinha. 

Longe de mim dizer que o otimismo não é bom, mas o próprio Frankl dizia que só havia algo melhor, mais útil e maduro que o pensamento positivo: o pensamento realista

Ele passou por quatro campos de concentração, sentiu frio, fome, humilhação e medo. Negar aquela realidade seria uma insanidade. Mas, simplesmente aceitá-la, seria uma sentença.   De morte. Este é o ponto.

Entender a realidade é diferente de aceitá-la. Aliás, para mudá-la preciso primeiro compreendê-la. E então lidar com ela. Como se lida com um animal selvagem. Com coragem, cuidado e inteligência.   

O que ele podia fazer era administrar a realidade, buscando, em primeiro lugar, meios para sobreviver. E um desses meios era criar uma conexão com o futuro, chamada propósito.  imaginar um novo tempo, com a Europa em paz, reconstruída, ficando melhor do que antes.  

A lição de Viktor Frankl pode nos ajudar, e ajudar nossos irmãos gaúchos neste momento trágico: nada dura para sempre

Assim como as maiores alegrias, as piores tristezas também não sobreviverão ao tempo. E falo isso “de cadeira” …

Um ótimo domingo e uma grande semana!  

 

(Adendo: conheça o viktorfrankl.org e o institutoviktorfrankl.com.br)


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica