# 51 – Sobre a traição

# 51 – Sobre a traição
Sobre a traição
(14/07/2024)

Depois de ter feito filmes que exploravam seu fortíssimo corpo, como Hercules e Conan, Arnold Schwarzenegger resolveu que não queria ser conhecido apenas por seus músculos. Queria ser um ator de talento, e, para tanto, pensou: “I need to make people laugh”, e resolveu se aventurar no terreno mais difícil da interpretação: a comédia. 

Primeiro fez Irmão Gêmeos com Danny de Vito, e logo depois o sensacional True Lies, como Jamie Lee Curtis. Neste interpretou um agente secreto que finge ser um vendedor de computadores até para a própria mulher. Esta, entediada, acaba quase se envolvendo com um conquistador barato. 

Uma das cenas mais engraçadas é o momento em que o personagem, fortão e implacável, deduz que estava sendo traído pela esposa, e fica arrasado. Ele atravessa a rua em transe, recusando-se a acreditar, lutando contra a realidade, quase é atropelado por um caminhão e é socorrido pelo colega que, para consolá-lo, diz o indizível: “bem-vindo ao time, amigo”. 

Sim, a traição vinda de quem se confia derruba até um ser schwarzeneggerseano, resistente a qualquer outro tipo de golpe. 

A cena é engraçada, o assunto é recorrente no cinema, na literatura e nos consultórios de terapia. E é, também, um dos maiores dramas morais do ser humano. 

A traição é considerada uma das piores ofensas que um ser humano pode cometer contra outro. Esse ato de deslealdade não apenas rompe a confiança entre as partes envolvidas, mas também causa danos profundos e duradouros, muitas vezes difíceis de reparar, e, quase sempre, imperdoável. 

A história e a literatura estão repletas de exemplos que ilustram a gravidade e as consequências devastadoras da traição. 

No caso de um casal, a traição não envolve apenas, ou necessariamente, uma traição sexual. Aliás, tem a mais a ver com trair o mais precioso elo entre duas pessoas: a confiança. 

E, o pior: a perda da confiança em uma pessoa que se ama, afeta fortemente a capacidade de confiar em qualquer pessoa, a partir de então. Quem trai uma confiança trai a confiança. Fere um, aleija muitos.  

Um ótimo domingo e uma grande semana!  


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica