Timing e Placing
(12/11/2023)
Primeiro veio o conceito do “timing”, palavra inglesa que tem o significado de “senso de oportunidade”. Refere-se ao tempo certo e à duração adequada.
Pessoas com timing são mais agradáveis. Sabem quando falar e quando calar, a que horas chegar e a que horas se retirar. Conseguem a atenção dos outros sem ultrapassar o limite do incomodo ou do enfado.
Seus chistes são pequenos, mas engraçados, porque surgem nos momentos propícios. Grandes atores têm timing no palco. Bons vendedores conhecem o timing do fechamento do negócio. Gente sem timing é chata e inconveniente. Conhece alguém assim?
E eis que agora surge o conceito do “placing”, com o mesmo significado, só que com relação ao espaço.
Entender o momento é vital para a didática e para a elegância, entender o local é vantagem para quem o ocupa. Hora e local, nada mais lógico.
Quem está no lugar certo sabe que a visibilidade é fundamental, mas a invisibilidade também, pois enquanto aquela produz respeito, esta produz lembrança, e ambos os sentimentos reforçam nosso significado e nosso valor.
O mundo tem milhões de quilômetros quadrados, mas existe um metro quadrado que é o melhor para mim neste momento. Estar neste metro é mais do que lógica. É arte da percepção, da sensibilidade, da artimanha.
Assim como tudo tem seu tempo, tudo tem seu lugar.
Tempo e lugar são variáveis complementares. A equação perfeita entre elas é o que resultará naquilo que costumamos chamamos sorte, de acaso bom.
Sim, estar no lugar certo na hora certa pode ser sorte. Mas, pense bem. Também pode ser escolha. Voluntária e deliberada.
Saber se posicionar é a grande habilidade dos snipers nas guerras, dos armadores no futebol, dos executivos nas corporações, dos galanteadores no jogo da sedução.
A boa posição é a garantia de equilíbrio do surfista na prancha. É a segurança do caçador que deseja continuar caçador e não virar caça. É a felicidade do bebê quando se sente no regaço materno.
É bom estar no lugar certo, na hora certa. Melhor ainda, é estar com a pessoa certa. Será querer muito?
Ótimo domingo! Grande semana!
Adendo:
Em português há um verbo para definir nossa condição humana e outro para identificar onde estamos. Ser e estar são diferentes, mas complementares.
Esse binômio lusofônico permitiu, por exemplo, ao Monteiro Lobato, em sua obra Urupês, de 1918, contar a história do caipira Jeca Tatu, e dizer sobre ele: “Jeca não é doente, ele apenas está doente”.
Já os anglofônicos, mais práticos, só têm o to be, que tanto significa ser como estar. Para os que falam a língua de Shakespeare, onde estamos, e como estamos, não é diferente de o que somos.
Já a vantagem de nosso binômio é abrir a possibilidade de melhorar o que somos, através de correções do onde e de como estamos. Onde estamos é sobre nossa posição. Como estamos diz respeito à nossa postura.
Cavalheiros e malandros, estadistas e ditadores, intelectuais e simplórios, beatas e devassas, todos são reconhecidos porque ocupam seus lugares e porque têm posturas que os denunciam.