Um banho de floresta
(26/01/2025)
Domingo, 7:00, em Campos do Jordão. Sento-me para escrever esta crônica em uma varanda, cercado de serra da Mantiqueira por todos os lados.
“Mantiqueira” é uma palavra tupi, que significa “gotas de chuva”. E elas estão aqui, posso tocá-las. São suaves, pequenas e refrescantes, e descem procurando a terra para fazer nascer a vida, alegre e exibida, em seus verdes impensáveis. Ouço um galo tecendo a manhã, o rio que passa aqui do lado está murmurando, os passarinhos já começaram a sinfonia “marca território”, e eu sinto a paz que precisava.
Sou essencialmente urbano, mas alguma conexão com a Natureza me é vital, reconheço. E aqui estou, recarregando minha “pilha verde”, e tendo ótimos momentos de amizade e prazer, na casa sempre acolhedora de meus amigos Luís e Heloise.
Ontem, uma coisa banal virou um fato especial: uma trilha na montanha com meu filho o Erik. Já voltando para casa, ele fez um comentário que mexeu comigo, virou conversa com os amigos e originou este escrito: “Pai, meu tênis está sujo, mas parece que eu estou mais limpo”, disse o menino de 9 anos.
Pois é, estávamos suados, tínhamos pisado em barro, afastado galhos das árvores com as mãos, subido barrancos, e, definitivamente, precisávamos de uma ducha. Mas ele se sentia “limpo”. E eu também.
É como se tivéssemos dado um banho na alma, tirando aquele encardido do cotidiano da urbe, que vai se acumulando nas dobrinhas da existência sem que nos demos conta.
E expressão “banho de floresta” existe. Foi introduzida no Japão, por um cientista chamado Tomohide Akiyama. Em japonês é “shinrin-yocu”, e lá virou prática de vida estimulada pelo governo, pelo xintoísmo, belo budismo zen, e pelas ciências da saúde.
Fazer contato com a natureza tem efeitos maravilhosos sobre nossa saúde física e mental. Para os japoneses, as florestas são as morada dos Kami, os espíritos sagrados, e quando os visitamos, eles nos ajudam a suportar a violências das lutas.
Deixar-nos envolver pela natureza nos reconecta à nossa essência, pois somos parte dela. A paz nos envolve e sentimentos bons surgem, nos afastando da pressão do trabalho e das obrigações. Voltamos às origens. Além disso, os cientistas isolaram as fitoncidas, compostos voláteis que, quando os inalados estimulam nosso sistema imunológico.
Por ciência, por crença ou por prazer, um banho de floresta só faz bem. E não precisa ser na Mantiqueira. Um parque da cidade serve, se você se priorizar, e se permitir sentir.
Que você tenha um ótimo domingo e uma semana produtiva!