Um gol de placa da vida
(15/06/2025)
Foi em um 15 de junho, também domingo, que Pelé estreou em seu novo time: o New York Cosmos.
Ao mesmo tempo em que o time entrava em campo, no estádio Downing, em Nova York, para enfrentar o Dallas Tornado, eu entrava na Maternidade Nossa Senhora de Fátima em Curitiba, para acompanhar o nascimento de meu filho Rodrigo.
Não sei se foi no exato momento em que o rei fez o gol de cabeça, levantando a arquibancada, que o menino veio à luz. Mas garanto que a emoção naquela sala de parto do lado de cá do Equador não foi menor que a soma daquela torcida mestiça do Norte.
Foi entre dribles a contrações que a vida ganhou o jogo. Pelé saiu do estádio com os aplausos de uma torcida encantada. Eu saí da sala com um menino nos braços e um nó na garganta.
Naquela sala branca, na verdade, ocorreu um parto triplo: nasceu um menino, um pai e uma mãe. Os três encantados e assustados com um jogo que estava apenas começando.
Rodrigo cresceu. Forte, como o pai achava que deveria ser. Forte de um jeito que nem sempre o mundo entende. Porque sua força não é de propaganda de academia nem de discurso motivacional – é de quem acorda cedo, encara o dia, a obra, a vida.
Silencioso às vezes, como se estivesse sempre planejando o próximo passe. Um pouco driblador da vida, um pouco zagueiro das próprias dores. Mas com uma nobreza discreta – dessas que não levantam troféus, mas sustentam o mundo.
Hoje é engenheiro de obra, do tipo que pisa no barro, garante a solidez do prédio e tem o apreço de seus operários. Em seu cotidiano, segura o tranco, e mesmo com a alma arranhada, segue em frente. Isso é coragem. E é amor também, ainda que calado.
Você não desmonta a cada vento, meu filho, porque é forte e é racional. Mas eu conheço a sensibilidade que você guarda como quem guarda um segredo.
É sensível quando cuida de sua família e pega suas filhas no colo. Quando me abraça com seu abraço inteiro, apertado, de que eu precisei tantas vezes. Quando deixa a música falar por você,
procurando os riffs do Angus Young na guitarra.
Às vezes o mundo é duro demais para pessoas autênticas. Mas, Rodrigo, o que o mundo mais precisa é de homens como você: que não fingem, que não se dobram, nem aos outros nem o destino. Que vivem com integridade. Você é um desses.
Não sei se já te disse com todas as letras, mas repito agora: me orgulho de você. E acredito em você. Nas suas escolhas, na sua capacidade de se reinventar, no seu futuro – que ainda está todo por ser escrito.
