# 65 – Uma experiência surreal

# 65 – Uma experiência surreal
Uma experiência surreal
(20/10/2024)

Fui ver a exposição Desafio Salvador Dali, na FAAP, em São Paulo, três vezes, com três pessoas: um garoto de 9 anos, uma psicanalista renomada e um artista consagrado. Cada um me ajudou a ver a exposição com olhos novos e diferentes. 

Com o Sérgio Prata, o artista mais completo que conheci (www.sergioprata.com.br), eu aprendi que Salvador Dali foi um caso raríssimo do encontro entre duas entidades máximas da arte: o domínio técnico total e a criatividade excepcional. 

Ele dominava o hiper-realismo meticuloso, usava a perspectiva sem nenhum erro, aplicava texturas, veladuras e transparências. O Cristo de São João da Cruz, a imagem de Jesus crucificado visto de cima é o exemplo da perfeição artística de Dali. 

A psicanalista (@rosa.maria.marini) chamou Freud para nos acompanhar. E assim entramos na galeria como quem entra no inconsciente do pintor catalão, preparados para fortes emoções, afinal, desejos, conflitos e traumas eram companheiros de Salvador Dali já no café da manhã. 

A persistência da memória, com seus relógios derretendo, nos alerta sobre a relatividade do tempo e a fragilidade da realidade. Somos angústia em movimento. Mas não podemos nos deter e, como um relógio quebrado, acertamos pelo menos duas vezes ao dia.  O “louco” Salvador sabia se divertir.

Quando fui com o Erik, ele era a peça principal do evento. Eu queria vê-lo vendo a exposição. Me encantar com seu encantamento. Com seus olhinhos verdes e curiosos. Menos técnica e interpretação. Mais diversão e emoção.

Ele entrou na galeria como quem entra em um jogo. Rapidamente se livrou das regras da realidade, e deixou do lado de fora os conceitos de “estranho” e de “impossível”. 

Ver os relógios derretendo e um elefante com pernas de aranha foi divertido e intrigante, e ele não tentou racionalizar. Apenas curtiu, e muito… O surrealismo é uma extensão da fantasia que a criança já vive. O mundo ainda está cheio de mistério e magia, e não é necessário que tudo faça sentido o tempo todo. 

Foi ‘irado’, pai…”. Foi, meu filho. Com você sempre é…

A experiência das três visitas aumentou minha convicção: a companhia eleva a potência da aventura. Ou diminui… E a vida é muito curta para não ser potente. 

Um ótimo domingo e uma produtiva semana a todos! 


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica