As Tarefas Impossíveis
(21/09/2025)
Nesta semana fui dar uma palestra no congresso de recursos humanos em Recife. Auditório grande e cheio. Antes de mim, falou uma psicanalista, e eu, claro, não segurei a tentação de começar minha fala com uma citação de Freud, que se encaixava no evento: “Governar, educar e psicanalisar são profissões impossíveis“.
Não posso dizer que comecei de maneira muito feliz uma mensagem para gestores de pessoas e profissionais de RH. Fui logo dizendo que o que eles tentam fazer em sua rotina cotidiana é uma tarefa impossível.
As pessoas se mexeram em suas cadeiras, e me lançaram um olhar indagador. Caramba… Agora cabia a mim colocar o assunto no devido contexto, e costurar este pensamento com outros pelo menos um pouco otimistas, criando uma saída para o enrosco. Mas, como discutir com Freud?
Essa afirmação do mestre aparece em seu texto Análise terminável e interminável, de 1937. Mas, antes que você pense que Freud foi muito pessimista, ou que estava de mau humor naquele dia, vamos analisar mais de perto:
Segundo ele, educar seria uma tarefa impossível porque nunca se controla totalmente o efeito da educação. Um aluno não é um objeto. É um sujeito.
Governar (ou comandar, ou liderar) seria impossível porque o poder do governante nunca é absoluto, e sempre haverá resistência, contingências e desalinhamentos naturais.
E psicanalisar seria impossível porque o inconsciente é inesgotável, e o trabalho analítico nunca é absolutamente terminado. Sempre resta algo não dito, não decifrado.
Mas, muita calma nessa hora: impossível não quer dizer inútil. Significa apenas que não há manual, não há fórmula definitiva, e, estas tarefas não têm deadline, prazo de entrega, formatura ou alta definitiva. Freud insistia que precisamos continuar.
Este é o lado belo: justamente porque não podemos “resolver de vez” o humano, nunca esgotamos as possibilidades de aprender com ele, de transformar junto, de recomeçar a cada vez.
E é isso que nos convida à esperança. Porque, apesar da “impossibilidade”, não desistimos de educar, de liderar, de compreender. Seguimos tentando, e nesse movimento construímos sentido, vínculos e futuro. Este “impossível” é o que nos move.
Ao final, os aplausos vieram entusiasmados. Ufa!