Mas…
(14/01/2024)
Gosto de rever temas do colégio. O olhar adulto é totalmente diferente, e encontramos novas aplicações para matérias que só estudávamos porque ia cair na prova.
Vamos recordar aqui uma aula de língua portuguesa: conjunção é uma palavra que liga duas partes de uma frase, dando um sentido a ela.
“Mas” é uma conjunção do tipo adversativa, porque indica oposição entre duas partes da ideia expressa na frase. Há outras que fazem a mesma coisa: porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante. Lembrou?
Agora vamos pular da gramática para a psicologia: sabemos que as pessoas agem de maneira diferente diante das diversas situações da vida, e um dos indicativos é a tendência ao otimismo ou ao pessimismo.
Esses dois estados, que definem a maneira como as pessoas avaliam, especialmente os momentos difíceis, se refletem no uso dos recursos linguísticos.
Um desses recursos é o uso do “mas”.
Ou melhor, da ordem em que se colocam os termos da oração em torno do “mas”.
Explico. Uma coisa é dizer: “Eu sei que está ruim, mas vai melhorar. Outra é afirmar: “Eu sei que vai melhorar, mas que está ruim, está”.
As duas frases acima envolvem exatamente os mesmos elementos em sua construção. Ambas fazem uma ponderação sobre a situação presente e uma consideração relativa ao futuro.
A diferença está no foco. Enquanto a primeira está claramente focada no futuro melhor, a segunda denuncia uma ligação maior com o presente.
Lembro de uma colega de trabalho que sempre terminava suas frases com “mas veja bem…”. Não importava o que vinha antes.
E depois vinha uma consideração do tipo “é preciso ser cauteloso”, ou “as coisas nem sempre são como parecem ser”. De pouco importava quão auspiciosa era a notícia, sempre tinha um “mas” para colocar as coisas em perspectiva. A perspectiva dela, claro, que quase sempre era pessimista.
Na mesma época eu tinha outro amigo que era um otimista de carteirinha. Ele também usava o “mas”, só que em outra conotação. Quase sempre seu “mas” vinha antes de “vamos dar um jeito”, ou “isso vai passar, você vai ver”.
Nosso estado de espírito é influenciado por nossas posturas corporais e também pela maneira como falamos. Escolher como usar o “mas” pode ser um bom começo.
Por hoje é só, “mas” na semana que vem tem mais.
Ótimo domingo! Grande semana!