# 25 – Mas…

# 25 – Mas…
Mas…
(14/01/2024)

Gosto de rever temas do colégio. O olhar adulto é totalmente diferente, e encontramos novas aplicações para matérias que só estudávamos porque ia cair na prova.    

Vamos recordar aqui uma aula de língua portuguesa: conjunção é uma palavra que liga duas partes de uma frase, dando um sentido a ela. 

“Mas” é uma conjunção do tipo adversativa, porque indica oposição entre duas partes da ideia expressa na frase. Há outras que fazem a mesma coisa: porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante. Lembrou?

Agora vamos pular da gramática para a psicologia: sabemos que as pessoas agem de maneira diferente diante das diversas situações da vida, e um dos indicativos é a tendência ao otimismo ou ao pessimismo. 

Esses dois estados, que definem a maneira como as pessoas avaliam, especialmente os momentos difíceis, se refletem no uso dos recursos linguísticos. 

Um desses recursos é o uso do “mas”. 

Ou melhor, da ordem em que se colocam os termos da oração em torno do “mas”. 

Explico. Uma coisa é dizer: “Eu sei que está ruim, mas vai melhorar. Outra é afirmar: “Eu sei que vai melhorar, mas que está ruim, está”. 

As duas frases acima envolvem exatamente os mesmos elementos em sua construção. Ambas fazem uma ponderação sobre a situação presente e uma consideração relativa ao futuro. 

A diferença está no foco. Enquanto a primeira está claramente focada no futuro melhor, a segunda denuncia uma ligação maior com o presente.

Lembro de uma colega de trabalho que sempre terminava suas frases com “mas veja bem…”. Não importava o que vinha antes. 

E depois vinha uma consideração do tipo “é preciso ser cauteloso”, ou “as coisas nem sempre são como parecem ser”. De pouco importava quão auspiciosa era a notícia, sempre tinha um “mas” para colocar as coisas em perspectiva. A perspectiva dela, claro, que quase sempre era pessimista. 

Na mesma época eu tinha outro amigo que era um otimista de carteirinha. Ele também usava o “mas”, só que em outra conotação. Quase sempre seu “mas” vinha antes de “vamos dar um jeito”, ou “isso vai passar, você vai ver”.

Nosso estado de espírito é influenciado por nossas posturas corporais e também pela maneira como falamos. Escolher como usar o “mas” pode ser um bom começo. 

Por hoje é só, “mas” na semana que vem tem mais.  

Ótimo domingo! Grande semana!


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica