# 114 – Pedaço por Pedaço

# 114 – Pedaço por Pedaço
Pedaço por Pedaço
(12/10/2025)

Nesta semana meu filho Erik, de dez anos, trouxe sua homework de math, e compartilhou comigo o problema. Era uma daquelas histórias que envolvia um garoto fazendo compras em uma loja de esportes, com uma nota de 20 no bolso, e se vê diante de escolhas que envolvem desejos, mas também números.

Própria da quinta séria, a questão não era sobre saber fazer contas, e sim saber quais contas fazer, e em que sequência. Sua função é desenvolver o pensamento lógico na criança. Adorei…

Expliquei a ele que a primeira regra da resolução de um problema complexo é dividir o todo em partes simples. Resolver o todo de uma vez é impossível. Resolver suas partes, uma a uma, é surpreendentemente fácil. E também lhe disse que aquela era uma metáfora da própria vida.

E foi então que brotou a genial simplicidade de um garoto livre de amarras e estereótipos, como todos deveríamos ser para sempre. Disse-me ele:

Pai, então viver é como comer chocolate. Pedaço por pedaço!”.

 Sem querer fazer trocadilho, mas já fazendo, achei sua colocação absolutamente deliciosa. Ah, se todos soubessem disso, o mundo seria, no mínimo um tanto mais doce.

Na verdade, esse tema tem uma relevância planetária. De acordo com o World Economic Forum, a resolução de problemas complexos será uma das principais competências para o século XXI.

E não há problema no mundo que seja insolúvel, se puder ser decomposto em partes. As grandes empresas de consultoria do mundo dedicam-se exatamente a isso, e ganham milhões de seus clientes, dividindo os problemas em fragmentos administráveis.

Claro, a partir de métodos, siglas, e relatórios sofisticados. Mas a ideia central é atacar cada parte com mais clareza, medir os resultados e depois recompor o todo.

As grandes questões globais, um desafio profissional, uma crise existencial ou um impasse familiar: tudo parece impossível quando visto como um bloco único e indivisível. Mas, se o quebramos em etapas, se definimos prioridades, se nos concentramos em uma coisa de cada vez, a complexidade começa a se desfazer.

Experimente fazer isso da próxima vez. E, para não esquecer como se faz, compre uma barra de chocolate, e saboreie cada pedacinho devagar, dissolvendo a rigidez da complexidade e saboreando o gosto doce da simplicidade possível.


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O nascimento da crônica