# 112 – Robôs no corredor

# 112 – Robôs no corredor
Robôs no corredor
(28/09/2025)

Eu caminhava em um longo corredor forrado com um tapete escuro. Tinha entrado por uma porta larga, e, no final, havia um palco. Ao lado não havia paredes. Havia pessoas. Confesso que ser observado enquanto caminho não me é lá uma sensação muito confortável.

De repente dois seres resolvem me acompanhar, como se percebessem minha fragilidade.

Ao meu lado, um humanoide esguio, pernas longas, camiseta preta e cabeça luminosa. À minha frente um ágil cão mecânico fazendo gracinhas. E eu senti mais seguro…

Essa poderia ser a descrição de um sonho que um psicanalista interpretaria como a busca do inconsciente por uma mudança ou pelo sentido da vida.

Também parecia a cena de um filme de ficção científica. Aliás, eu me senti o próprio Luke Skywalker, devidamente acompanhado pelos droides C-3PO e R2D2.

Mas a cena foi real.

Eu estava em Pato Branco, a cidade que está se transformando em um polo de alta tecnologia, participando do evento Gestão & TI da VIASOFT – uma verdadeira feira de um futuro que já é presente.

Centenas de jovens executivos de todo o Brasil lotavam o auditório. Eu não falaria sobre tecnologia, e sim sobre gente. Não versaria sobre Inteligência Artificial, mas sobre Inteligência Humana. Diria que aquela foi criada por esta, e agora, como que em retribuição, a IA potencializa a IH.

Ao chegar, acariciei o robô-cachorro e apertei a mão do humanoide. Aquele gesto foi uma condensação simples de milênios de evolução: não mais estranhamento, mas convivência e harmonia entre o homem e a máquina.

O resto do evento foi dedicado a aprofundar esse tema, versando sobre soluções de TI que nos tornam mais eficientes e melhoram a qualidade de nossa vida.

Eu li Arthur Clarke e Isaac Asimov ainda garoto. E tive a sorte de viver o suficiente para fazer parte do enredo que decolou no campo daquela ficção e aterrissou na pista desta realidade, que virou nosso cotidiano.


Publicado por: Eugenio Mussak

Crônica é literatura? Claro que é! E não afirmo sem prova: nosso primeiro cronista foi Machado de Assis, e a minha primeira foi descaradamente baseada na primeira crônica do bruxo do Cosme Velho, chamada exatamente “O Nascimento da Crônica".