Uma equipe de verdade
(07/09/2025)
O historiador israelense Yuval Harari emplacou alguns best-sellers mundiais. No primeiro deles, Sapiens, ele explica as três grandes vantagens competitivas do ser humano: a primeira é a potência de nosso cérebro, que nos deu o pensamento abstrato, a imaginação e a linguagem. A segunda é o polegar opositor, que nos permitiu segurar objetos e fabricar e utilizar ferramentas.
E a terceira, menos falada, é a capacidade de colaborarmos uns com os outros, em pequenos ou grande grupos, não apenas por instinto, mas graças ao estabelecimento de crenças comuns.
Este é o fato: trabalhar em grupos, colaborar, contribuir, somar forças, complementar competências, é uma imensa vantagem. E isso, que valeu muito durante a evolução de nossa espécie, na composição com as outras, é igualmente importante dentro da própria sociedade humana.
Mas os agrupamentos humanos não são todos iguais. E os resultados obtidos por eles também não. Podemos falar de um time de futebol, de uma equipe de trabalho, de uma família, e até de um casal. Sempre haverá times e times. Qual o segredo dos melhores?
Voltemos ao Harari. Segundo ele, o segredo está na criação de narrativas compartilhadas. Acreditamos em ficções que não existem na natureza. Bons exemplos são o dinheiro, as leis e as religiões. Se não houver um acordo coletivo sobre seu valor, não passarão de papel, linhas escritas ou símbolos.
Mas nós atribuímos valor a eles e concordamos em respeitá-los. Isso organizou a sociedade e permitiu a vida em comum, a ordem, o progresso e o bem-estar coletivo. Surgiram as cidades, as nações, as organizações e os mercados globais.
Temos que lembrar que o ser humano vive tanto no mundo físico quanto no mundo simbólico. E é o reino dos símbolos que brota a intenção mútua, sem a qual não existe cooperação.
Num âmbito menor, uma equipe não se sustenta apenas em metas numéricas ou contratos frios. O que verdadeiramente gera coesão é a criação de um propósito que todos reconhecem como legítimo.
Em outras palavras, formar uma equipe é mais do que alinhar competências. É criar um roteiro convincente em que cada pessoa se veja como personagem indispensável, e que reconheça no outro a parte que lhe falta. É assim que se transforma indivíduos em seres coletivos, e o coletivo em força transformadora.